Tarifaço dos EUA coloca em risco exportações pernambucanas
O novo pacote de tarifas comerciais dos Estados Unidos, implementado em 22 de março, acende um alerta na economia de Pernambuco ao colocar em risco cerca de R$ 380 milhões em exportações do estado. Esse valor representa aproximadamente 60% de toda a pauta comercial pernambucana para o mercado americano. Entre os setores mais vulneráveis, o sucroenergético pode registrar perdas diretas de até R$ 200 milhões em faturamento.
Impactos no setor sucroenergético e na cadeia produtiva
Renato Cunha, presidente do Sindicato da Indústria de Açúcar de Pernambuco (Sindaçúcar-PE), destaca que a sobretaxação do açúcar gera prejuízos significativos. Ele explica que, além da tarifa adicional de 25%, incidem outros impostos que podem elevar a taxa total para até 37,5% sobre a cota do produto. Essa situação ameaça a renda das usinas locais e coloca em risco os empregos na Zona da Mata, além de afetar diretamente os mais de 22 mil pequenos e médios fornecedores de cana-de-açúcar do Norte e Nordeste, que terão redução no valor recebido pela matéria-prima.
Apesar da severidade, Cunha ressalta que não há risco de colapso na produção, já que as 155 mil toneladas destinadas aos EUA correspondem a menos de 4% da produção nordestina e poderão ser redirecionadas para mercados alternativos como Europa, África, Ásia e Leste Europeu.
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Setores industriais e agrícolas também sofrem com novas tarifas
Além do setor sucroenergético, outras áreas industriais pernambucanas enfrentam dificuldades. Maurício Laranjeira, gerente de Política Industrial da Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe), revela que, dos aproximadamente US$ 125 milhões exportados para os EUA em 2025, cerca de 60% dos produtos sofrerão a nova tarifa de 25%. Apenas 40% da pauta comercial ficou isenta, beneficiando itens como coque de petróleo exportado por Suape, mangas frescas, querosene de aviação e pescados.
Entre os produtos afetados, as uvas do Vale do São Francisco são destaque negativo. A fruta foi taxada por competir diretamente com a produção americana e com fornecedores do Chile, Argentina e Peru, o que resulta em impacto considerável para Pernambuco, responsável por praticamente toda a exportação brasileira dessa fruta para os EUA.
Outro segmento prejudicado é o polo industrial de Suape, onde a produção de chapas de plástico PET, matéria-prima para garrafas descartáveis, sofreu a aplicação das novas tarifas. Isso compromete a venda de insumos industriais de alto valor agregado que geram empregos qualificados no estado.
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Fonte: amapainforma.com.br
Logística regional mantém estabilidade apesar dos desafios
Apesar dos desafios impostos pelas novas tarifas, não há risco iminente de paralisação logística em Pernambuco. Maurício Laranjeira explica que o Porto de Suape não corre perigo de colapso, já que o açúcar, principal produto afetado em volume no transporte marítimo, é escoado majoritariamente pelo Porto do Recife, o que mantém a operação regional estável.

