Diálogo Enriquecedor em Belo Horizonte
Belo Horizonte foi o palco, entre os dias 27 e 30 de abril, da terceira etapa da consulta pública sobre o marco legal que visa proteger os conhecimentos tradicionais e as expressões culturais dos povos indígenas e comunidades quilombolas. Realizado no Complexo Cultural Funarte MG, o evento, promovido pelo Ministério da cultura (MinC) em parceria com o Iphan/MG, trouxe representantes de diversas etnias e instituições para um diálogo integral sobre a valorização das culturas populares.
Essa iniciativa faz parte de uma estratégia mais ampla do Governo do Brasil, que busca estabelecer um marco regulatório para reconhecer e proteger os saberes culturais desses grupos, garantindo a preservação de suas práticas e direitos. O objetivo é criar mecanismos de proteção e salvaguarda que respeitem a diversidade cultural presente no país.
A programação foi estruturada em plenárias e grupos de trabalho, onde os participantes puderam analisar e discutir a minuta do marco legal, oferecendo sugestões relevantes baseadas nas realidades de seus territórios. Essa abordagem participativa atende a uma necessidade de construção conjunta de um projeto normativo que realmente reflita a essência cultural dos povos envolvidos.
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Construindo um Futuro Colaborativo
O encontro promovido nos dias 27 e 28 de abril teve foco nas comunidades quilombolas, contando com a presença de importantes figuras como o diretor de Regulação do MinC, Cauê Fanha, e representantes de várias instituições, como a Fundação Cultural Palmares e a Conaq. Durante a discussão, foram abordadas questões relevantes para a proteção dos saberes e direitos dessas comunidades.
Nos dias subsequentes, a mesa dedicada aos povos indígenas trouxe à tona debates cruciais, com a participação de representantes do Ministério dos Povos Indígenas e da Funai, além de acadêmicos que contribuíram com suas vivências e pesquisas. A diversidade de vozes e experiências enriqueceu ainda mais as conversas, enfatizando a importância de um marco legal que realmente dialogue com as necessidades de cada comunidade.
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Marcos Souza, secretário de Direitos Autorais e Intelectuais do Ministério da Cultura, destacou a importância de um processo participativo: “Estamos construindo um marco legal a partir da escuta direta dos povos e comunidades. Reconhecemos que os conhecimentos tradicionais e as expressões culturais são patrimoniais vivos, que precisam de proteção jurídica adequada e são construídos por aqueles que os produzem e preservam”, afirmou.
Aprofundamento e Próximos Passos
Durante os encontros, o trabalho em grupos possibilitou uma análise mais aprofundada do texto em discussão, com sistematização das contribuições que foram apresentadas em plenária. Os encaminhamentos definidos irão orientar as próximas etapas do processo de consulta pública.
A proposta do marco legal está sendo desenvolvida de forma colaborativa, com a inclusão de representantes indígenas e quilombolas de diferentes regiões do Brasil. Esse processo participativo visa assegurar que a diversidade cultural do país seja refletida e que os conhecimentos e expressões culturais tradicionais recebam a proteção que merecem.
Com isso, a consulta em Belo Horizonte não apenas fortalece o reconhecimento de saberes tradicionais, mas também promove um espaço de escuta e construção conjunta, essencial para a efetividade do respeito à diversidade cultural no Brasil. O resultado desse trabalho colaborativo será fundamental para garantir que as culturas tradicionais sejam preservadas e respeitadas no contexto jurídico do país.

