O Crescimento da violência política nos EUA
No último sábado, 25, um homem invadiu um evento dos correspondentes da Casa Branca com a presença do ex-presidente Donald Trump e disparou contra agentes de segurança. Este incidente marca a terceira vez desde o início da campanha presidencial de 2024 em que um atirador se aproxima do ex-presidente, revelando um padrão preocupante em relação à violência política nos Estados Unidos. Nas duas ocasiões anteriores, ocorridas em julho e setembro de 2024, as autoridades falharam em identificar uma clara filiação ideológica dos agressores, embora a hostilidade contra Trump e a intenção de assassiná-lo fossem evidentes.
Um estudo recente revela que, na segunda metade da década de 1990, a média de ataques de motivação política cometidos por indivíduos de esquerda era de menos de um por ano. No entanto, esse número saltou para 1,3 por ano na primeira década do século XXI. Com a eleição de Trump em 2016, a média de atos de violência política de esquerda atingiu quatro por ano.
A Violência de Direita e a Reação da Esquerda
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É importante ressaltar que, ao longo desse período, a violência política de direita sempre superou a cometida por indivíduos de esquerda. Em 2017, ano inaugural do governo Trump, foram registrados 30 atos de terrorismo de direita contra apenas quatro de esquerda. Contudo, no primeiro semestre de 2022, o cenário começou a mudar: apenas um ato de violência de direita foi contabilizado, enquanto cinco episódios de motivação política de esquerda foram reportados, sem contar o assassinato de Kirk.
O estudo do Centro para Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS) traz à tona algumas observações significativas. A primeira delas é que a violência política de esquerda tende a ser menos letal do que a de direita. Isso se deve ao fato de que os atentados de motivação de esquerda são frequentemente realizados por indivíduos isolados, sem conexões com grupos que poderiam oferecer treinamento ou organização. Uma segunda observação do CSIS sugere que a diminuição dos atentados de direita pode estar relacionada à forma como a agenda de certos extremistas, como combate à imigração e ao aborto, vem sendo atendida por Trump em seu segundo mandato.
A Retórica de Trump e o Impacto na Violência
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A administração Trump tem utilizado o aumento da violência política de esquerda para se posicionar como vítima de perseguição e deslegitimar a oposição. Em um memorando de setembro do ano passado, o ex-presidente afirmou que os ataques não são espontâneos, mas fruto de uma campanha organizada sob o rótulo de ‘antifascismo’. Segundo Trump, as motivações de tais atentados incluem anticapitalismo, aversão ao cristianismo e extremismos relacionados a imigração, raça e gênero.
Esse cenário leva os estudiosos a se depararem com um dilema clássico sobre o que vem primeiro: a retórica presidencial agressiva que desencadeia atos de violência ou os atos extremistas que forçam um endurecimento no discurso político? Embora a questão não tenha uma resposta científica, pesquisas indicam que a opinião pública americana tende a acreditar mais na segunda hipótese. Um levantamento do Instituto de Pesquisa em Religião Pública (PRRI) revelou que, em janeiro deste ano, 67% dos norte-americanos acreditam que a falta de condenação por parte de líderes políticos a retóricas agressivas contribui para a ocorrência de violência política.
Lições para o Cenário Eleitoral Brasileiro
A situação nos Estados Unidos oferece lições importantes para o Brasil, especialmente em um ano eleitoral. Candidatos devem refletir cuidadosamente sobre como abordar a polarização, evitando um clima de violência que pode ter repercussões negativas para a sociedade. Em primeiro lugar, é vital evitar retóricas que desumanizam adversários e seus apoiadores. Uma campanha eleitoral não deve ser tratada como um embate entre o bem e o mal.
Além disso, é crucial evitar posturas de superioridade moral em relação ao rival político. Em uma democracia, vencer não deve significar eliminar o outro lado, uma ideia contida na expressão ‘varrer do mapa’. Da mesma forma, uma derrota não deve ser vista como o fim do mundo. Essas abordagens extremas apenas incentivam a radicalização e justificam atos violentos.

