A nova fronteira da economia em Pernambuco
Voltar da China com uma certeza clara não é comum: a Economia de Baixa Altitude já deixou de ser uma curiosidade tecnológica para se consolidar como uma infraestrutura econômica fundamental, comparável às rodovias do século XX e à internet no início do século XXI. No epicentro desse avanço, a China adota o setor como uma política industrial de Estado, com a meta de publicar mais de 300 padrões técnicos até 2030. Essa estratégia antecipa o mercado, definindo normas antes mesmo que a demanda se estabeleça, para então moldar o setor conforme essas regras.
Durante minha visita a Chengdu e Yichang, testemunhei de perto exemplos práticos dessa política. A Aerofugia, braço aéreo da Geely, já é a segunda maior empresa global a dominar o eVTOL tilt-rotor de grande porte, acumulando 2 mil pré-encomendas. Além disso, Yichang, até então sem tradição aeronáutica, construiu em apenas 18 meses uma plataforma logística que reduz de horas para minutos o tempo de transporte por drones nas eclusas das Três Gargantas. Esses casos ilustram que o diferencial está no método: identificar usos reais, testar in loco, permitir que os padrões surjam da prática e só então escalar com a coordenação entre regulador, indústria e governo.
Potencial e desafios para Pernambuco
Pernambuco possui ativos estratégicos que dialogam diretamente com essa economia emergente. O Porto Digital e o CESAR são referências em software e inteligência artificial; o CISSA foca em cibersegurança; Suape lida com desafios logísticos semelhantes aos enfrentados pela China; o Vale do São Francisco atua como laboratório vivo para agricultura de precisão; e o ITEMM, em Belo Jardim, concentra sua atuação quando 35% dos incidentes com drones ocorrem em sistemas de energia. Além disso, a janela regulatória aberta pela Consulta Pública do RBAC-100 na ANAC coloca Pernambuco em posição semelhante à da China em 2017, antes da definição de sua norma-mestra. Aproveitar esse momento para influenciar os padrões significa um ganho estratégico muito maior do que tentar renegociá-los posteriormente.
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A Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (SECTI) já desempenhou seu papel, promovendo a cooperação técnica com o CCPIT e estreitando laços com o LIDE por meio de um Acordo de Cooperação Técnica (ACT) para fortalecer a infraestrutura tecnológica local. A Missão Sichuan, que visitei em julho de 2026, é a primeira entrega dessa parceria e demonstra o compromisso do governo estadual em avançar no tema.
O papel decisivo do setor privado
Política industrial não se constrói apenas com governo e academia. É a iniciativa privada que investe, gera empregos e assina contratos. Por isso, o empresariado pernambucano precisa ter participação efetiva, não apenas simbólica, no Grupo de Trabalho Estadual, nas contribuições técnicas à ANAC e nas negociações com os parceiros chineses identificados na missão. A economia de baixa altitude já está em movimento. Pernambuco pode liderar essa transformação ou correr o risco de perder espaço para outros estados até 2028.

